sexta-feira, 5 de julho de 2013

Vaga ao vento o Talento

Viver é um ofício, escrever também. Escrever exige sempre que se reescreva. Mas dessa vez coloco uma primeira versão, para que um dia, ao colocar a mais renovada, perceba o que mudou, se mais ou menos bela ficou. Pois se não emociona, nem vale a pena.

Já altas as horas, abro a janela
A mente, inquieta, demais tagarela
Uma novela, Brasil, era outrora
E quem se importava, foi-se já embora

Qual é que é o alento da vida?
Será o talento uma rara jóia
Sufocada numa barrenta jazida?
Ou será mesmo como veneno de jibóia?

Qual é que é a cor e o som do talento?
Talvez seja comum e onipresente
Que a gente não vê, meio prepotente
Não percebe ainda o chegar do momento.

Como diz papai, brota de família?
Esforço, dedicação, até certo egoísmo
Será destino de seguir uma trilha?
Talento, dom ou lamento? Cá eu cismo.

Questão assim tem um bom motivo
É para cessar a fome dos cativos
É dissecar os entes do subjetivo
E escutar, dos trovadores, silvo uivo.

Imagina, guiando os sertanejos, Estrelas
Olha, nas matas, singelas genialidades
Sábios ganhando suas bagatelas
Competindo com o sol em sua claridade.

Imagina, embelezando o deserto, Flores
Joviais, na arte da vida, secando
Dançam, sem exalar seus odores
Tão valiosas, vão-se deteriorando.

Sim!
Quero-os bem todos
Bem todos perto de mim
Porque os dons são como o vento
Sopra livre, por onde quiser
E se não aparecerem com suave prece
Esquece! Suas luzes continuarão a brilhar
Pois de talento, vi, o Brasil não carece

E no silêncio, são grandes como ondas no mar.

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