segunda-feira, 1 de julho de 2013

Santo júbilo

Ó doce e santa alegria
Não basta sorrir para ser feliz
Não basta chorar de alegria também
Felicidade eu já encontrei
Em olhos calmos, sinceros e mesmo bravios.

Se aprazer de se deitar ou descansar
Não basta esse deleito de imaginar
Somente o descanso no porvir
E se esquecer da presença intensa do agora.

Não basta brincar como as crianças
Como os animais ou quer que seja
Ou mesmo quebrar tudo que se vê
Como entretenimento e liberdade.

Não basta se desenfadar das obrigações
Se bem que delas se livrar é dez
Não basta se livrar das fés
Se bem que delas se soltar é um passo do compasso

Não basta se divertir com coisas
Que acabam no segundo que brota
Que grita incessantemente chamando
Um retorno à realidade dura e morta.

Não basta espairecer de 365 dias
Apenas um, escolhido ao léu
Talvez baste espairecer todos eles
Ou toda a vida, melhor dizendo

Não basta abduzir todos ao redor
Para que façam-lhes felizes
Não basta afastar nem atrair
Tudo o que nos é interesse

Não basta alhear toda nossa desfortuna
Não basta desviar-se de retas e curvas
Não basta deter fluxo de emoções
Não basta ocupar terras livres.

Sim, dispersão
Vem cá ó mãe da alegria
Do deleito mais profundo
Do mais escondido mundo
Que hoje aqui se mostra e nos guia.

Ó negligência do saber de tudo
Vem tia querida de sonhos outros
Antigos, mas bem vindos ainda
Vem nos liberar do fardo.

Ó cobrança supérflua
Por que esperas que eu, logo eu
Ungido com óleo da dispersão
E marcado com o peso da inércia
Logo eu,
Que resisto aqui eternamente
Em meu auto-estímulo de brilhar
Por que eu saberia te responder?
Ó júbilo de viver, és suave e perfeito
Mantenedor da alegria e príncipe dos pilares
Que aqui envolvo em mistério.

Ó doce e santa alegria.

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