segunda-feira, 8 de julho de 2013

Aos loucos

Chamam-lhe idiota: mas na verdade ele é apenas bobo. Chamam-lhe vagabundo: mas ele é apenas um pouco louco.

Pouco ou nada ele tem. Mas em suas mãos está o mundo.

Quem chama ele de louco, não sabe nada dele, no fundo: a maioria insiste que ele é idiota, e pronto - todos crêem. Todas estas pessoas da cidade grande, ou mesmo os campesinos, que acham-se donos da verdade - eles morrem da mente e do coração, tentando algum dia se dar bem da vida.

O louco não (vejam que mesmo eu acostumei chamá-lo assim): ele pega sua trouxinha, e sai andando. Ele tem o universo ali diante de si. A única diferença (mas que faz toda a diferença) é que ele ainda não sabe que tem o mundo nas mãos. Esse andarilho... Não é um zero à esquerda. Ele é bondoso até. É uma coisa tão natural, que nem o melhor ator consegue interpretá-lo bem, se não for um deles.

Ele ama os ventos. As críticas vem porque ele nada contra a correnteza, as velas de seu saveiro sempre o levam a mares nem sempre navegados: ele vive aventura de piratas, em ilhas desertas, encantadas e cheias tesouros.

Ele é aquele pequeno sol, que nasce no oeste e se põe no leste, mas tudo sem querer. Ele não quer desafiar o sol - é inconseqüência mesmo. Você chega na casa do louco, ele lhe oferece sua própria comida - mas não, ele não é trouxa. Ele sabe que você está nas mãos dele, porque a vida é dele.

Nosso louco, bobo, idiota, como o queiram, é um poeta, um artista da vida. Lá no coração, todo mundo quer ser como ele. Os loucos nascem mais em alguns lugares do que outros. Comprovei isso com minhas viagens ao interior. São Paulo tem muita gente sabida e astuta. Elas são as que mais atacam os bobos. Elas acham que sabem: mas os loucos sabem mais, no fundo, inconscientemente. E eles não ligam tanto para isso. Não ficam discutindo a bolsa de valores. Nem esperando o ônibus. Nem reclamando da vida com o taxista. Nem pensando se deixa ou não gorjeta para o garçom.


Ele apenas pega sua mala e vai viver loucamente em outros lugares.

Nenhum comentário:

Postar um comentário