sexta-feira, 13 de junho de 2014

Lições de um Tributo - Não, não são os jogos vorazes

Depois de estudar o RIR (legislação tributária, acessível a todos mortais diferentemente dos grandes tomos de outros Direitos) sendo acompanhado via e-mail pela Defensoria Pública da União (o único setor que me foi caro, rápido e resoluto nas respostas) e com as diversas corregedorias de serviços públicos (relação nova para mim, confesso), consegui hoje resolver uns probleminhas de imposto de renda que quase me levaram à Malha Fina (isso porque sou um pobre isento que, por curiosidade, resolveu declarar impostos para "aprender" o ofício dos outros seres humanos, aparentemente tão 'ativos' na arte de ser brasileiro).

Mostrei os erros da Receita Federal durante o período de avaliação de impugnação e inconsistência no sistema (coisas pequenas mas que só eles podiam alterar - e eu esperava um maior expertise dos funcionários públicos), felizmente o bom-senso coexistiu e minha dor de cabeça diminuiu pela metade. Bem, o tema do texto não é tributação, no fundo. Mas sim (como sempre, incansavelmente), um julgamento à atitude de certas pessoas que acusam políticos, professores, funcionários, o raio que os parta, de diversas cosias e NEM sequer tem conhecimento do que realmente se tratou, tendo preguiça de ler processos, saber em quais artigos se ajusta as acusações e quais as consequências disso. Sim, eu sou brusco na mudança da água pro vinho.

Ok, confesso que todos temos um pouco disso: é o mal do pré-julgamento. É um misto de excitação, euforia, num momento qualquer ou situação. Eu não me excluo disso. Mas eu gosto de escrever, e tento fazer isso de forma atemporal (porque eu não gosto de ser objetivo e retilíneo), histriônica (porque eu não gosto do badalar dos sinos tão ritmados e simples), e por isso transformar dores de cabeça em pequenas reflexões (não que inculte sentido, não). À esta grei que hoje se aglomera por aí pedindo mais e sabendo menos, vendo mais e lendo menos, falando mais e pensando menos (caio nesse truque, declaro), deixo só a importância de como a pesquisa, a busca pelos métodos, a busca incansável de justiça (mas busca real, não só virtual e retórica), fará de nós pessoas muito melhores, muito mais justas, reflexivas e de esquerda.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Sono, apenas

                      Abri os olhos sentindo o suor escorrendo pela testa. Estava realmente abafado sob o manto de lã, macio e protetor. De forma quase irreconhecível pairava o odor leve de mofo - resultante do longo tempo armazenado no armário, retirado apenas devido às notícias da frente fria que se aproximava da capital. Eu, fiel ao noticiário, me precavi.
                        A primeira coisa que notei era o azulão do manto que cobria todo o corpo sem tocar, no entanto, minha face. Imaginei, transpassando-o, o teto do quarto, branco e gélido, tão diferente do ar viciado e quente que fluía dentro daquele pequeno inferno prazeroso e do agrado das gotas de suor que escorriam pelas laterais das orelhas, fazendo cócegas.
                        Meus pés estavam dormentes e deles uma vibração quase que sonora, me dizia para não levantar. As mãos imóveis como pedra estavam praticamente casadas com o lençol - inseparáveis. Por um momento esse peso me causou a impressão da morte.
                        Como saberia? A sensação do ar morno, as cócegas leves, pés dormentes e gelados, os olhos fixos e inanes, para cima apontando... Seria possível? Que tranquilizadora foi a sensação de meu coração batendo. Cada batida, intensa e mórbida, era também dolorosa e demandava um grande esforço e força de vontade para existir.
                        Mais calmo, ficava feliz a cada gota de sangue que circulava e causava leves arrepios no couro cabeludo, na jugular, e pontadas na nuca (estas seriam ignoradas caso estivesse num instante qualquer de consciência). Já que não morte, talvez fosse um sonho.
                        Fechei os olhos desejando fortemente que minhas mãos se movessem. As batidas, entretanto, eram resolutas, ritmadas e inacessíveis a qualquer mudança. Só de saber da vida, senti um alívio, e me entreguei, a mais alguns instantes de sono, julgando-me um merecedor pela sobrevivência num incidente como este. Me permitirei alguns minutos mais antes que o despertador toque. E a nova questão existencial era "quanto tempo ainda me resta?".

                        O despertador toca.

domingo, 8 de junho de 2014

Agora

Estou disperso.
Estou degradado.
Estou distraído.
Estou desgostoso.
Estou desesperado.
Os malefícios do Estar.

Sou focado.
Sou íntegro.
Sou desperto.
Sou deleitoso.
Sou confiante.
Os benefícios do Ser.

Homenagem Amorosa

"EMBORA SEJAMOS FILHOS DA TERRA,
NOSSA RAÇA VEM DAS ESTRELAS."

- em homenagem ao Amor.

Eis o que escutei durante a noite.
Tu que apareceste durante o crepúsculo
Surgindo no manto azul do céu
Sei que não há nada além de Ti
Sei que não devo ouvir os homens
Nem os deuses dos homens:
São todos tolos.

Tu és o céu amplo!
Tu que vês estes homens
Que nada sentem, que nada vivem,
Prazer esporádico é o que querem.
Não querem o Júbilo eterno!
Sou Teu escolhido, Ó minha Aldebarã

Não me aprisionarão,
Não recusarei meu corpo,
Aos amados e às amadas
Sou aquele que parte pela manhã
Da Terra ao Céu.
Maldita seja a restrição da Vontade
Pelos Aeons de antes e do depois!

Eu que tomo minha parte do Amor
Onde quero.
Como quero.
Com quem quero.
Embora tenha tido amados e amadas
Amar-te é melhor que tudo.
Ir ao deserto durante a noite,
Para ti.

Tu que me beijas, e tudo acalma.
Tu cuja serpente sobe em mim.
Tu em cujo peito adormeço.
Tu que me desejas como ninguém!
Tu que me amas como ninguém!
Tu que me dás asas para te alcançar!

Todo homem e toda mulher é uma estrela.
Todo número é infinito: não há diferença.
Que a Lei se cumpra.