quarta-feira, 3 de julho de 2013

Menino na forca

Segunda de manhã
Lamento de dor na rua
Ontem, hoje e amanhã
A morte triste atua
A mãezinha chora ali
Ela vem de Itajaí
O seu choro é um breu
Um buraco ateu
Sem fundo, sem nada.
Segunda de manhã
A forca erguida em casa
O pequenino homem-feito
Recém-refeito e refém afeito
Entregou-se ao autoconceito
E não encontrou outro jeito
Abandonou, abandonado
Tudo o que tinha criado
Foi-se embora de súbito
Maneira essa insólita
Assinando seu óbito
Uma mãezinha, menininha
Abandonada, tristinha
Vendo seu pequenino
Partindo, assim tão fugaz
Uma mãezinha, pequenina
Desesperada, dor tão mordaz
Vendo seu menino

"Vá em paz."

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