quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A BACCHANALIA E O SAGRADO

Primeiro, eu acho a orgia um tema muito interessante pelo contexto social ainda na aurora da humanidade, onde tinha um "líder" e todos ficavam ao redor dele, porém ele como líder tinha acesso às mulheres e aos homens do mesmo "bando". Isso evoluiu e ainda no antigo egito, assim como há relatos de homossexualidade - o que era comum - há também de orgias - também comuns - principalmente nos aposentos reais e entre agricultores. Isso chega então na Grécia, mas com a prática do Eromenos, que seria um senhor amar um cara nos seus vinte e poucos anos e ao mesmo tempo ser seu mentor filosófico. Em Roma havia um ápice onde existiam os banquetes entre pessoas da alta sociedade intelectual e econômica, comiam, discutiam e terminavam com orgias até o outro dia, prática comum também depois das longas reuniões do Senado. E tudo isso era bem aceito, era comum, era algo normal. O que veio depois foi a Idade Média e foda-se o resto da História se não o texto se alonga muito... Voltemos à orgia.

A orgia tinha uma conotação social também: era daí que saía a amizade de determinados casais, a formação de grupos, e a busca pelo autoconhecimento, pelo menos em algumas tradições do Oriente e alguns rituais ocidentais. Eu vejo o sexo com muita naturalidade e como o maior poder mágico do ser humano: por que os homens não tem tanto medo e se lançam enquanto algumas mulheres tem aquela "intuição" de quando não devem fazer algo? É simples: o homem na ejaculação sente a sensação da morte - por isso ele está mais propenso às aventuras, e mesmo às promiscuidade, como alguns aqui falam, porque ele não sentiria - segundo algumas tradições - medo da morte. É isso que faz o homem ser o que ele é: quente, brigão às vezes, e disposto a brigar feio, a viajar e passar por muitos riscos. Também vejo a orgia com bastante naturalidade, ainda mais a Bacchanal Sacra.


Em Magia, que é e tem também filosofia, esse ato mágico pode ser utilizado para potencializar forças, vontades e criar concretamente no mundo: é a criação de uma ideia. Mas deixando a parte sobrenatural para lá, os estímulos provocados por um grupo podem ser maiores, já que serão muito mais toques e a percepção é mais utilizada. Por isso existe tantra tanto para casal, com a intenção de concentrar as sensações em determinados pontos (por exemplo, sexo oral localizado por longos períodos, SEM toque de outras partes do corpo) e as orgias, que promovem um "êxtase" diferente devido à multiplicidade de toques e sensações simultâneas.

O legal ainda é que essas práticas não são simplesmente sexo por sexo. Tem uma preparação. Um exemplo bem interessante é um ritual planetário que pode ser desenvolvido. Precisa-se de sete pessoas, cada qual representado um planeta e um deus dos sistemas antigos. Cada pessoa ficaria por um mês se concentrando no Deus ou Deusa, seus atos, sua mitologia, seus poderes, até mesmo as palavras. Então no dia do grande banquete, ocorria uma reunião não de simples humanos, mas sim de DEUSES. E esses "seres com deuses encarnados" compartilhavam seus insights, suas reflexões, e tudo o mais, jantando e tomando vinho ("um dos néctares dos deuses") e se entregavam ao amor com o Deus correspondente às qualidades que desejava; sendo que todos os planetas tem qualidades desejadas por todos, isso terminava em Bacchanalia (um grande festival de fato), o que hoje é a "orgia" - porém antes com um pouco mais de sacralidade.

Envolve-se aqui a sacralidade do ato: o ato sexual seria não apenas a união física e o contato físico, mas sim a absorção de características positivas de certa pessoa por outra. Um aprendizado. A orgia por exemplo dos sete planetas representaria o sistema solar antigo, por isso a orgia - todos são necessários para esse tipo de equilíbrio. Esse tipo de sacralidade era observado para: união de opostos ou iguais (sexo em casal, homem e mulher, ou não), união de três (onde dois eram os "pais" e um representava o filho ou o objetivo a ser alcançado); quatro pessoas (elementos), onde os casais se conheciam separadamente e depois envolviam-se formando a quintessência dos alquimistas; cinco, com um significado parecido, mas tendo um "líder" que é extasiado; seis pessoas e assim por diante. Tudo isso é uma tradição ocidental que se perdeu em nossas sociedades e eu resgato porque gosto mas também por uma obrigação pessoal como Chévalier Livre.

Enfim, a ideia do texto é despertar a discussão desse tema de uma coisa que ocorre tão comumente e ao mesmo tempo não é discutida abertamente porque a maioria considera "coisas pessoais demais"; lembro a esses então que isso não é exclusividade de uma ou outra pessoa, que essa prática é bem corriqueira e eu aconselho. No entanto, é sempre bom manter-se seguro e usar camisinha, seja a forma que decidiu para tomar sua dose de amor sob o Céu de Estrelas.

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